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IMOBILIÁRIAS E CORRETORES DE IMÓVEIS DO BRASIL

Lançamentos Imobiliários aquecem o mercado

NOVOS LANÇAMENTOS AQUECEM MERCADO IMOBILIÁRIO

Recursos para financiamentos de imóveis, com juros menores, repercutem de forma favorável entre a classe média com poder aquisitivo para comprar a casa própria.

O sonho da casa própria ainda é um dos maiores anseios dos brasileiros. Esse ideal representa uma grande conquista para a população e reflete na qualidade de vida das famílias.

Nos últimos anos o Governo Federal vem adotando medidas para ampliar os financiamentos feitos pelo sistema financeiro para a aquisição direta do imóvel pelo consumidor. Hoje, o acesso ao crédito imobiliário em condições favoráveis está mais fácil. Apesar do cenário ainda não ser o ideal, como analisam alguns profissionais, a oferta de imóveis está aumentando.

Hoje existe um déficit de 7 milhões e 200 mil habitações. Dos quais 20% desse déficit está concentrado na classe média e os outros 80% nas famílias com renda até 5 salários mínimos.

Como quem está no mercado quer um resultado financeiro positivo, o setor de Construção tem concentrado esforços na classe média devido ao poder aquisitivo. Em 2006, o governo, principalmente, por meio da Caixa Econômica, e o setor privado liberaram investimentos para a área, algo em torno de R$ 20 bilhões, ante os R$ 13 bilhões financiados em 2005.

Investimentos do setor ampliam-se a cada ano

Desde de 2004, os financiamentos têm crescido em progressão geométrica, com taxas fixas, acrescidas da variação da TR, pelas instituições financeiras. De acordo com os dados divulgados, em março, pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), nos últimos 12 meses, cerca de R$ 10 bilhões foram emprestados para o financiamento de mais 120 mil unidades.

Para 2007, o diretor executivo do Secovi, Celso Petrucci, aponta um cenário de valores em torno de R$ 13 bilhões em recursos para o financiamento e aquisição de 135 mil a 140 mil unidades. O que representa um grande avanço, já que esses valores em 2002 eram de R$ 2 bilhões para financiamentos de 29 mil unidades. Dependendo da fonte consultada há variações nos valores destinados ao financiamento imobiliário.

A grande expansão do crédito imobiliário, entretanto, ocorreu na metade da década de 80. “No ano de 1983 foram comercializadas mais de 600 mil unidades por meio de financiamentos”, relembra o presidente da Federação Nacional dos Corretores de Imóveis (Fenaci) e vice-presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais - CNPL, Carlos Alberto Schmitt de Azevedo que atua no mercado imobiliário de Porto Alegre (RS), há mais de 30 anos.

Schmitt de Azevedo aponta um outro momento importante, só que crítico para o setor, quando ocorreu um esvaziamento nos financiamentos para o consumidor comprar a casa própria. Nos últimos anos da década de 90 e início de 2000 o percentual de vendas através de financiamentos caiu para 5% do que existia na década de 80. No ano 2000 foram comercializados apenas 30 mil unidades com recursos do crédito imobiliário. “O resultado desse cenário forçou o setor a se adequar. Entre as alternativas, surgiram os autofinanciamentos, os consórcios de imóveis e a compra de imóveis usados”, diz Schmitt de Azevedo.

O presidente da Fenaci considera o ano de 2005, com o início da virada: “O governo Federal entendeu que o financiamento imobiliário não gera inflação, pelo contrário, gera crescimento à medida que mais unidades são financiadas, mais imóveis são vendidos e construídos. Esse ciclo que representa 17% do PIB brasileiro deveria sempre ter sido uma preocupação constante dos governantes”, afirma Azevedo, ao esclarecer que em termos comparativos, as previsões sobre os valores direcionados ao crédito imobiliário representam no Brasil 2% do PIB. “E se fizermos uma comparação com os percentuais investidos em outros países da América Latina, como o Chile, esse valor é de 16 % do seu PIB; no México de 18% do seu PIB e, em Portugal os financiamentos imobiliários representam até 40% do PIB. Isso é uma evidência de que só é possível um país crescer e se desenvolver, através do setor da construção civil”, argumenta.

Nos países citados, a repercussão desses investimentos é imediata, e se reflete no aumento da oferta de empregos no segmento da construção, tanto de mão-de-obra especializada, como não especializada. “As dezenas de empregos abertos, nos canteiros de obras geram crescimento econômico, pois essas pessoas voltam a ser consumidoras”, reforça o vice-presidente da CNPL.

Juros ainda são o grande empecilho

Segundo o presidente da Federação Nacional dos Corretores de Imóveis Carlos Alberto Schmitt de Azevedo, a Entidade tem intermediado, por meio de seus representantes, a discussão das dificuldades do setor em seus Congressos e Encontros com os sindicatos de suas bases. E a partir daí, elaborado documentos que posteriormente são entregues às autoridades do setor, com propostas para agilizar os financiamentos, alongar prazos de pagamento e reduzir taxas de juros, entre outros.

Um dos aspectos mais comentados entre os profissionais do setor é a importância da redução da taxa de juros básicos, a Selic, o que representaria uma significativa diminuição das taxas para financiamento imobiliário. “No Chile, por exemplo, a taxa de juros para o financiamento de imóveis é de 3%. E no Brasil, que já reduziu bastante esse percentual, a taxa de financiamento está em torno de 11% a 12%, conforme os valores a serem financiados, argumenta Azevedo, destacando que ainda são muito altos”.

A abertura de capital, por empresas como a Cyrela, Klabin e Rossi, com a venda de ações na bolsa vai possibilitar o desenvolvimento de produtos para classe média baixa e baixa, analisa o diretor executivo do Secovi, Celso Petrucci. Já são 15 as empresas com ações na Bolsa de Valores de São Paulo. E a previsão é que até o fim de 2007, outras oito façam o mesmo.

“A princípio essa abertura vai propiciar financiamentos, de valores de R$ 150 mil e outros de R$ 120 mil, para aquisição de unidades de dois dormitórios e três dormitórios compactos para o segundo semestre de 2007 e para 2008”, diz Petrucci.

Fonte: Revista das Profissões Liberais
Edição Março/Abril - 2007

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